quinta-feira, 30 de julho de 2020

Conversação em Tupi Antigo - Aula 1

Uma das boas forma de aprender um idioma é a pratica diária, más infelizmente, salvo raras exceções, não temos esse tipo de oportunidade - nesse sentido, criamos essa historinha em quadrinhos com textos em o Tupi Antigo.

SUMIETAMA

SUMIETAMA é uma civilização muito mais avançada que a nossa, formada por centenas de nações indígenas, é um universo escondido dentro do grande Brasil, fundada milênios antes da chegada dos colonizadores portugueses pelo lendário Sumié.

Assista ao video 


Em SUMIETAMA todo conhecimento ancestral e das tecnologias do mundo atual se misturam, a população vive em perfeita harmonia com a natureza, recicla 100% dos seu lixo, não polui águas nem o ar, e usam o Tupi-Antigo como idioma comum para os mais de 300 povos ancestrais brasileiros.

Acompanhe as aventuras da família Ybyrapytanga em SUMIETAMA enquanto aprende o básico de conversação em Tupi-Antigo.



Aula de conversação I – a chegada de Rembémumbu - Texto em Tupi por Romildo Araújo (clique aqui para conhecer mais o trabalho do Professor Romildo em Tupi Antigo)

Transcrição e Tradução

1-Pindobuçu – Type chegou, e ele vem acompanhado de uma amigo.
Té! (finalmente)Type our umã! A’e our tapixara irunamo. 

2-Potyra – Abra a porta para ele, meu filho.
Xe membyr îu! Esokendabok îandé roka t’our a’e.

3-Pindobuçu – vieste de Reritiba, meu primo?
Ereîúrype Rerityba suí, xe rybyra gûé?

4-Type – Sim eu vim. Deixe eu apresentá-lo, este é meu amigo Rembémumbú.
Pá! Aîur, xe ryky’yra.  T’arokûab, ikó xe raûsupara Rembemumbú.

5-[Olá!] Muito prazer, meu nome é Rembemumbú, sou da etnia Aimoré.
Eîkobé! Xe roryb nde kuapa, Xe rera Rembémumbu, xé anama é Aimoré.

6-Pindobuçu - Logo deduzi pelo botoque em seus lábios - entre por favor.
Aîkugûab aûnhenhẽ nde tembé botoque repîaka. - T’ereîké, xe irũ

Na cozinha (Tembi’u moîypá’pe)

7-Potyra  – Sejam bem vindos em nossa casa.
Ta peîkókatu oré róka pupé!

8-Type – Estou feliz por estar aqui. A senhora está preparando maniçoba?
Xe roryb iké gûitekóbo! Endé tembi’u manisoba ereîapó eîkóbo serã?

9-Potyra – Sim, e esta noite eu te convido para jantar.
Eẽ, kó Pytũneme, ixé oroso’o t’îakaru ne .  

10- Type – Me desculpe, essa noite eu não posso, tenho um compromisso na casa de amigos Potiguaras.
Nde nhyrõ xébe. Kó pytũneme nda’ekatuî. Aîkó temone xe rapixara Potiguara roka pupé.

11-Pindobusu – que pena, a maniçoba de minha mãe é a melhor de Piratininga
Erĩ, Tembi’u manisoba xe sy rembiapó sékatueté Pirarininga suíxûara suí.

12-Type – o cheiro está muito bom!!
Syapûangatu nhẽ!

Pindobuçú – não tem problema, da próxima vez que vier aqui prepararemos de novo a maniçoba para comermos.
I marane’ym! Nde rúsagûãme abé, t’îaîapó abé Manisoba t’îa’u ne.

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Monumento às Bandeiras – o mais importante monumento de São Paulo é pouco conhecido pelos Paulistanos

Monumento às Bandeiras com 32 figuras, 
e não 37 como relatado em muitos outras referencias (inclusive a Wikipedia e o Site da Prefeitura de São Paulo

Certa vez perguntei a um amigo de infância quantas eram as figuras que empurravam e puxavam a canoa de monções no Monumentos às Bandeiras de Victor Brecheret, monumento bastante conhecido dos paulistanos em frente ao Parque do Ibirapuera. Ele então pesquisou na enciclopédia de sua mãe (na época não existia o Google) e a resposta foi 37 figuras.

Achei muito estranho pois tenho uma boa noção de conjuntos e o numero me pareceu um pouco alto. Para tirar a duvida fomos até o local e contamos um a um.

Para minha surpresa a enciclopédia estava errada (assim como diversos artigos que vejo na internet, inclusive no artigo da Wikipédia) e eu estava certo. Eram 30 entre homens mulheres e crianças e mais dois cavalos, totalizando 32 figuras.
Monumento às Bandeiras - Rosto da Figura de número 25

Nos perguntamos: -“como a enciclopédia podia estar errada num assunto tão importante para o paulistano?”.

A resposta pode estar no Memorial Descritivo do projeto para o Monumento às Bandeiras publicado no Jornal Correio Paulistano no dia 28 de julho de 1920.
Monumento às Bandeiras - No primeiro bloco vem os cavaleiros, no segundo as etnias brasileiras 

“O grupo monumental que é a coluna dorsal do monumento, foi movido de maneira a sugerir uma ‘entrada’. A grande massa processional , guiada pelos ‘Gênios’ – os Paes Lemes, os Antonio Pires, os Borba Gatos – avança para o sertão desconhecido. Os Guiadores, a cavalo – símbolo da força e do comando -, são seres titânicos, dignas expressões viris dos sertanistas de São Paulo.
Monumento às Bandeiras - Nesta seqüência um homem da de beber ao índio e uma mulher carrega um bebe no colo
No centro, uma Vitória espalma as asas que cobrem piedosamente os ‘Sacrificados’, isto é, aqueles sertanistas que tombaram nas ciladas da selva. (..) Saindo da terra pisada pelos bandeirantes, serpeiam em grupos laterais as ‘Insidias’. São de um lado, as ‘Insidias da Ilusão’, mulheres enigmáticas e serpentes, belas como tudo que promete a mente, a simbolizar as Esmeraldas de Paes leme, as Minas de Prata de Roberto Dias, o mundo lendário das Amazonas de Orellana. (...) Do outro lado, as ‘Insidias do Sertão’ exprimem as Lesirias e as Febres, as Emboscadas e as Feras, a Fome e a Morte. Na parte posterior, a Ânfora que conterá a água do Rio Tietê, sagrado pela gloria das ‘monçoes’. Sugeriu-nos essa idéia a conferencia do Sr. Affonso de Taunay”.
A figura de numero 13 é o unico que puxa a embarcação - Uma lenda popular diz que o monumento do 'Deixa que eu empurro' ou 'empurra-empurra' nunca sai do lugar posto que as cordas estão frouxas, logo ninguém está fazendo força.
Reparem que neste memorial escrito pelo próprio escultor ele menciona ‘Vitorias Aladas’, e também acho que alguém deveria carregar a ânfora, estas não estão presentes no nosso atual monumento.
As figuras escondidas de numero 29 e 30 ( a de numero 29 é o auto-retrato de Victor Brecheret)

Considerada a maior escultura equestre do mundo com seus 50 m de comprimento, 16 m de largura e 10 m de altura, teve seu projeto inicial em 1920, encomendada para a celebração do bicentenário da independência, em 1922. 
A grande massa processional , guiada pelos ‘Gênios’ – os Paes Lemes,
os Antonio Pires, os Borba Gatos – avança para o sertão desconhecido.

O então Presidente do Estado, cargo que equivale hoje ao de governador, manifestou o desejo de realizar um monumento aos bandeirantes. A comissão encarregada de executar o monumento, a ser custeado pela administração pública, foi composta por Monteiro Lobato, Menotti Del Picchia e Oswald de Andrade, que escolheram o projeto de Brecheret.

Ainda em julho de 1920, o projeto foi apresentado publicamente na Casa Byington, e agradou muito a Washington Luís. 

A colônia portuguesa, nesse meio tempo, queria oferecer um monumento à cidade, também com o tema de bandeirantes, eles apresentaram uma proposta do escultor português Teixeira Lopes.

Menotti Del Picchia detestou a idéia de ter essa obra feita por estrangeiros “...o monumento brasileiro deve ser integralmente brasileiro”, repudiava a idéia de “a alma e a técnica estranhas se fixarem no bronze que imortalizaria as glórias de nossa raça”. Em função do conflito o Presidente do Estado decidiu adiar o projeto e a maquete de Brecheret foi parar na Pinacoteca do Estado.
Maquete original do Monumento às Bandeiras de Brecheret com 37 figuras (1920), inclusive as 'Vitorias aladas' - Muita alteração foi feita até sua inauguração em 1953 com apenas 32 figuras.

A retomada da escultura só ocorreu próximo às comemorações do IV Centenário da Cidade. Primeiramente, Brecheret fez a obra na escala de 1x1 m, aumentando-a depois para o tamanho atual. Foi feita uma primeira escultura em gesso em tamanho natural, a partir da qual todas as figuras foram novamente esculpidas, desta vez em pedra Mauá – as pedras eram trazidas da cidade paulista de mesmo nome – por artesãos denominados “canteiros”, que copiavam fielmente o modelo em gesso feito por Brecheret.

O monumento foi feito em três partes: os batedores a cavalo à frente do grupo, o grupo humano ao centro e a barca ao final.

O projeto inicial teve diversas alterações e em1949, Brecheret resolveu alterar a base do monumento. Em vez de escadarias, optou por uma base mais simples, com as laterais em plano inclinado, quase vertical. Em 1951, a Oficina Incerpi começou a montar os blocos de granito, já esculpidos, no Ibirapuera, como num grande quebra-cabeças, sendo que o efeito final deveria dar a impressão de um único bloco de rocha, como previa Brecheret. O concreto foi usado no enchimento da canoa, para dar mais rigidez ao conjunto.
o ‘Sacrificado’ figura de numero 23,  é o sertanista que tombou nas ciladas da selva.
O único personagem histórico identificado é o próprio Victor Brecheret. A quarta figura à direita do monumento, no bloco imediatamente seguinte ao dos cavaleiros, traz a seguinte inscrição no seu ombro direito: “Auto-retrato do escultor Victor Brecheret 02-10-1937”.

Previsto para ser inaugurado em 25 de janeiro de 1954, foi entregue um ano antes. Brecheret estava doente e pediu ao governador Lucas Nogueira Garcez, apressasse a entrega para o dia 25 de janeiro de 1953.
Temendo que as outras 7 figuras estivessem escondidas, procuramos muito e só achamos um escondido (numero 22) rapaz que carrega o desmaiado.    

Símbolo da cidade de São Paulo, a obra-prima de Brecheret é praticamente uma síntese de sua trajetória artística. Demorou 33 anos para ser construída e revelou influência de seus estudos anatômicos, que valorizam o corpo humano, no estilo art decó combinado com o luxo do estilo marajoara-indígena.

As “bandeiras”, tiveram grande importância para a colonização do Estado de São Paulo e do interior do Brasil nos séculos XVI, XVII e XVIII. 

Cada uma das figuras tem cerca de 5 m de altura e retrata mistura étnica brasileira, com a presença de bandeirantes brancos, índios e negros escravos, e mamelucos.
Se o numero 13 é o único que puxa, o numero 28 é o único que empurra.

Os cavaleiros da escultura estão direcionados para o Pico do Jaraguá, rumo ao interior do Estado dos bandeirantes, sempre à procura de pedras preciosas, mais precisamente esmeraldas. Abaixo deles, na base de pedra da obra há um mapa, em que são mostrados os caminhos dos bandeirantes por todo o Brasil. Ele foi elaborado pelo historiador Afonso d’Escragnolle Taunay (1876-1958), autor de História geral das bandeiras paulistas (1924/50), grandioso levantamento de fatos que auxiliam na compreensão da história do Estado de São Paulo. 

Nas laterais do monumento, há inscrições enaltecendo a obra. O poeta, ensaísta e crítico literário Guilherme de Almeida (1890-1969), chamado de “príncipe dos poetas brasileiros”, declarou: “Brandiram achas e empurraram quilhas, vergando a vertical de Tordesilhas”.

Armas antigas semelhantes a um machão (“achas”) é vista na mão de uma das figuras. Empurraram quilhas de embarcações para alcançar pontos cada vez mais longínquos, ultrapassando a barreira imposta pelo Tratado de Tordesilhas firmado entre Portugal e Espanha em 1494, que delimitava a posse das terras na América após a primeira viagem de Colombo.
Foi adicionado concreto para unir as estatuas feitas de pedra 'Maua'

Os bandeirantes, se embrenharam pela mata e chegaram a locais antes não pisados pelo homem branco, fundando cidades e ampliando as fronteiras brasileiras.

Posteriores negociações entre os rei luso D. João III e os monarcas espanhóis Fernando e Isabel deslocaram a linha inicial e asseguraram a expansão do Brasil para alem da demarcação. 

A outra inscrição na lateral do monumento (“Glória aos heróis que trocaram o nosso destino na geografia do mundo livre./ Sem eles, o Brasil não seria grande como é”) é do historiador, ensaísta e poeta brasileiro Cassiano Ricardo (1895-1974). Modernista, filiado ao Movimento Verde-Amarelo, que, por volta de 1926, defendia um nacionalismo fechado às influências das vanguardas européias.

A frase exalta o papel dos bandeirantes na história do Estado e demonstra bem o espírito conservador do grupo, que contava com a participação de Menotti del Picchia, Cândido Mota Filho e Plínio Salgado, defendendo um ideário político de extrema direita, dando origem ao Grupo Anta e, posteriormente, no integralismo, vertente do nazifascismo no Brasil.

Triângulo Histórico de São Paulo, e a Aldeia de Tibiriçá

O Triângulo Histórico de São Paulo, área que compreende a Praça da Sé, o Largo São Francisco e o Largo São Bento 
Segundo o historiador Jaime Cortesão, São Paulo é considerada a capital geográfica do Brasil, sua localização foi imensamente importante na diâmica de nosso povo ancestral de 10.000 atrás, que se locomovia a pé e até os dias de hoje também, por meio de navegação pluvial, interligando-se as 6 principiais bacias hídricas do continente, a do Paraná, Tieté, Patagônica, São Francisco, Amazónica e do Orinoco. Ainda hoje a localizaçao de São Paulo resguarda grande importancia estratégica, não é a toa que se transformou nessa grande e importante cidade.
A o Triângulo Histórico da cidade de São Paulo mudou muito desde sua fundação em 1554. Em 1930 com a construção do Edifício Martinelli começou a era dos altos edifícios e hoje conhecido popularmente como 'Centro Velho' -  2020
Esse ‘centro geomântico’, parafraseando Carlos Castañeda, dá acesso a quatro trilhas pré-históricas. Lendas indígenas contam que essas trilhas foram abertas por gigantes deuses como o Mapiguarí, esse postriormente identificado como o megatério, também chamado de preguiça gigante, nos deu a pista de que tais deuses provavelmente foram na verdade animais extintos da megafauna americana, alguns deles conviveram com humanos antes de se extinguirem, tais como os xenorinotérios e gliptodontes.

Triângulo Sagrado e histórico no ano de 1590, a aldeia de Tibiriçá já estava abandonada, enquanto a cidade crescia a partir do Pátio do Colégio - as trilhas p're-historicas se transformam em ruas com nomes portugueses   
Tibiriçá foi o ultimo grande líder espiritual indigena do Triângulo Sagrado de Piratininga, que os Tupiniquím defenderam bravamente contra constantes ataques de Tupinabá e outras aldeias inimigas, uma colina que se elevava entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí, e tinha como centro a pedra careca, o Inhapuambuçú (do Tupi-Antigo i(nh)apu'ãm-busú o grande cume ou y(nh)apu'ãm-busú o grande ponto do rio), que se vê de longe como "a proa dessa nau triangular",  pedra que existiu ao lado do atual Mosteiro de São Bento más que infelizmente foi aterrada para dar vazão à rua Prestes Maia.
principiais bacias hídricas do continente, a do Paraná, Tieté, Patagônica, São Francisco, Amazónica e do Orinoco
O Rio Anahngabaú, ou rio do deus Anhangá que desenboca no Piratininga (continuação do Tamanduateí), era alimentado pelo córrego do Itororó, que desce da maravilhosa floresta do Ka'aguatá (Avenida Paulista), rio que nascia no bairro do Paraíso, próximo de onde é hoje o hospital Santa Catarina e descia pela Avenida 23 de Maio. A linda mata do Anhangabaú era sagrada, só podia ser visitada pelo xamã para fins ritualísticos, pois era o lar do Anhangá, o deus Tupi das Caças e da natureza, comumente retratado como um veado branco, de tamanho atroz, com olhos vermelhos da cor de fogo. Ele é o protetor da fauna e flora, persegue todos aqueles que caçam de forma indiscriminada, desrespeitam a natureza e pune quem caça filhotes ou matrizes que estão nutrindo suas crias, vbem como punem aqueles que poluem suas águas, saiba mais  canalizando o rio, como também nos esquecemos do espírito mor de nossa cidade. Desprezarmos nossas tradições tupiniquins dessa forma é imperdoável!

Já os rios Piratininga e Tamanduateí à continuação, eram assim chamados pelos habitantes pois Piratininga em Tupi-Antigo significa peixe seco e Tamanduá te y, é rio dos Tamanduás - esses nomes foram dados porque nesse ponto alagadiço, a antiga varzea do Carmo, costumava oscilar em nivel de água, com isso, muitas vezes os peixes morriam ao sol atraindo formigas, que por sua vez atraiam os tamanduás.

Quanto às trilhas, se dividiam em quatro grandes, que tinham como ponto de partida a aldeia de Tibiriçá, que partir de 1554, passou a sair da grande porta da fortificação inicial dos Jesuítas;

As trilhas ancestrais foram fundamentais para a dispersão Tupi no Brasil
-A primeira dessas quatro trilhas, foi o chamado “Caminho da Fonte”, dava asscesso à Serra do Mar, um maciço que separa o planalto de Piratininga do litoral com elevação de 800m, da qual diversas trilhas desciam a serra, entre elas a trilha de Paranpiacaba, a estrada do Lorena e a via Anchieta; 

-A segunda é trilha do Piqueri, atual rua Quinze de Novembro, em direção ao Rio Tietê via Ponte do Piqueri, de lá podia-se partir em direção ao vale do rio Paraíba do Sul até chegar ao Rio de Janeiro, hoje é conhecida como via Dutra; 

-A terceira era o “Caminho do Ibirapuéra” que deu origem à atual rua Quintino Bocaiuva, saia em direção à Av Brigadeiro Luiz Antonio até chegar à grande mata de Ka’a Guaçú, o espigão montanhoso central de Piratininga (hoje espigão das avs. Paulista, Dr. Arnaldo e Cerro Corá) descendo pelo parque o Ibirapuera, e por fim, essa mesma trilha, tinha uma bifurcação no rio Pinheiros que levava à famosa trilha do Peabirú, que tinha como destino final a civilização mais elevada da época, o império Inca no Perú; 

-A quata trilha, o “Caminho de Pinheiros”, parte da atual rua José Bonifácio Consolaçao Doutor Arnaldo Euzebio Matoso, interligando-se também com o Peabiru.

A trilha do Peabiru, que saia de três origens, São Paulo, Santa Catarina e Cananéia, se uniam Vila Velha de Ponta Grossa, seguia ate os Campos Gerais até Assuncion, de lá Subia o rio Plicomayo, segunido por Colquechaca na Bolivia ate chegar no Perú.
A trilha do Peabiru

A Trilha do Peabiru e a lenda que a cerca contada pelos Carijós, os chamados 'O Melhor Gentio da Costa', inspirou os europeus em sua busca frenética por riquezas e ouro. 

Peabiru (na língua tupi, "pe" – caminho; "abiru" - gramado amassado) era o nome dado aos antigos caminhos utilizados pelos indígenas sul-americanos, desde a pr-historia, em intricada rede de conexão de todo o conesul.

A trilha do Peagirú em sí tinha três origens, São Paulo, Santa Catarina e Cananéia, se uniam Vila Velha de Ponta Grossa, seguia ate os Campos Gerais até Assuncion, de lá Subia o rio Plicomayo, segunido por Colquechaca na Bolivia ate chegar no Perú.

Empolgado com essa historia, e, 1526 Aleixo Garcia liderou um grupo com 2000 Carijós, levando farinha de pinhão e mariscos secos e mel em direção ao Peru, chegando a 150 km de Potosi, na Montanha de Prata, que deu origem à lenda da Montanha da Lua, lá eles entraram em guerra com o império Inca, saquearam e fugiram carregados de metais preciosos saiba mais 

Tibiriçá ficou famoso por acolher em sua aldeia o primiero paulista, João Ramalho, um possível naufrago português que se casou com Bartira, filha do morubixaba. João Ramalho aprendeu o Tupi e conquistou o respeito do povo ancestral, Tomé de Siouza, governador da capitania de São Paulo dizia que João Ramalho, caminhava 90 km em um só dia, tinha um exército de 5.000 homens, em sua grande maioria refens de tribos beligenrantes e era muito atarefado, subia e descia pelas diversas trilhas que partiam da aldeia, principalmente depois da chegada dos Jesuítas.
Com a chegada das Ordens Beneditinas, Carmelitas e Franciscanas as tradições ancestrais dos Tupiniquim desaparecem - a  remoção da icônica pedra do Inhapumabuçu representa o esforço de apagar a religião antiga da memória para dr inicio às novas.
Fundação de São Paulo

A Villa de Piratininga, que ja tinha sido estabelecida em 1532 pelo Almirante Dom Martim Afonso de Souza, Vice Rei das Índias e Donatário da Capitania de São Vicente e São Paulo, aforada em 1534 por D. João III O Piedoso, e ratificada em 1553 por Tomé de Souza 1º Governador Geral do Brasil, foi posteriormente transferida, acolinada e Renomeada em 1554 pelo Vice-Provincial Jesuíta Manoel de Nóbrega como Villa de São Paulo de Piratininga. Como se ve em texto antigo, a fundaçao do colégio e postriormente vila de Piratininga era um projeto de parceira publico-privada de carater religioso, a fundação do colégio de Manoel da Nobrega e José de Ancheta era de importancia pivotal para a catequização, pois serviria junto com o émbaixador’João Ramqalho, de ponte cultural com a aldeia de Tibiriçá e posteriormente outras aldeias. 

Em 1549, logo após a aprovação da Companhia de Jesus em Roma, o Padre Manuel da Nóbrega partiu de Lisboa na armada de Tomé de Souza juntamente de cinco companheiros para conduzir as Missões Portuguesas do Ocidente. Em 1553, após formar as primeiras missões brasileiras na Baía de Todos os Santos, onde primeiramente aportou, seguiu em direção à Capitania de São Vicente onde percorreu o litoral sul do Brasil colonial. Em seguida, subindo a Serra do Mar, Nóbrega liderou a fundação da Aldeia de Piratininga e nela implantou o Colégio de São Paulo possibilitando o início das entradas para o interior do continente.

A parte mística-religiosa desse projeto teve início no dia 29 de agosto de 1553, dia da degolação de São João Batista, por conta de cálculos precisos que os Jesuítas vinham fazendo para fundarem seu colégio no dia de São Paulo, 25 de janeiro. A localização também deveria ser pré-estabelecida de acordo com regras dogmáticas, que deveria ser edificada em acrópole, exatamente no interior do triangulo histórico, os jesuitas entenderam que esse local que já era considerado o mais sagradao pelos ‘índios’ deveria ser também o mais sagrado dos Cristãos. 

Conforme relata o historiador Alan de Camargo, lá representou e ainda representa a continuidade e renovação permanente da sagrada esperança do povo europeu cristão de várias nacionalidades e etnias, que buscou em terras distantes e selvagens satisfazer os seus profundos anseios de liberdade e prosperidade, arriscando sua própria vida no batismo do Maris Oceani Tenebrosum (o grande Atlântico!) e nos perigos das densas matas infestadas de feras, pestes, traficantes e... canibais! sob a égide da Cruz de Cristo, se uniram em fraternal comunhão, incluindo os nativos aliados Tupi-Guaianás, para plantar as preciosas sementes de Salvação e Civilização Ocidental Greco-Romana trazidas em suas pobres e sofridas bagagens, valores culturais que germinariam a singular e arquetípica Civilização Cristã Paulista.

O Anhagá, grande deidade Tupiniquim de São Paulo foi apagada da historia 
A Expansão de São Paulo

No final dá década de 1590 foram descobertas as primeiras minas de ouro, prata e ferro nos arredores da vila, nas serras do Jaraguá, Guarulhos, Voturuna, Araçariguama e outros locais mantidos em segredo. Os fatos que ocorreram sem seguida foram de grande importância para o crescimento da vila de São Paulo.

Ainda nessa década a vila já tinha 150 habitantes, o Páteo do Collegio foi fortificado em frente a já abandonada aldeia de Tibiriçá. Os fncionários da câmara e demais pessoas que chegavam para a empreitada de Portugual já não tinham mais onde morar dentro das muralhas dos Jesuitas, foi então que a expansão fez perder o medo de ataque e morar fora da área protegida. 

A primeira rua aberta fora dos muros da vila deve ter sido a rua de São Bento por apresentar as melhores condições de aproveitamento dos lotes. Estes foram demarcados com frentes de duas e três braças e profundidade de vinte e trinta braças. A rua seguiu por um terreno absolutamente plano, desde o caminho do Piqueri até o caminho de Pinheiros, deixando de um lado a aldeia abandonada de Tibiriçá e do outro a encosta do vale do Anhangabaú. A solução foi a mais favorável para os usos da época pois permitia que as casas fossem construídas no alinhamento da rua e os quintais tivessem o escoamento das águas para o fundo do lote.
Essa seria a vista da Praça do Mosteiro de São Bento se a montanha sagrada do Inhapuambuçu ainda existisse. Historiadores discutem a hipótese de que os Franciscanos, Carmelitas e Jesuítas decidiram aterrar esse importante marco religioso da aldeia de Tibiriçá no Triângulo de Piratininga para apagar todo e qualquer vestígio da religião ancestral indígena.
Na mesma ocasião foi aberta a atual rua Direita que teve esse nome desde a sua origem, pois percorreu um antigo caminho que ia “direito” da ermida de Santo Antonio para a vila. No cruzamento com a rua de São Bento formou um ângulo reto o que leva a crer que o profissional responsável, em geral um carpinteiro, utilizou a bússola na sua demarcação.

No final do século XVI, atraídos principalmente pela ação missionária, outras ordens religiosas se estabelecem em São Paulo. Dentre elas podemos destacar os:

-Os Carmelitas (1594) Os carmelitas foram a quarta ordem religiosa a chegar no Brasil, e, na região paulista, os primeiros frades desembarcaram nos idos de 1592, no porto de Santos. Nesse mesmo ano, surgiu neles o “pensamento de fundar um convento na povoação que começava em Cima da Serra“. O fundador de Santos, Braz Cubas, se tornou um grande amigo dos carmelitas, e doou a eles dois grandes terrenos – um no litoral, e outro nas terras de Piratininga (atual São Paulo);
Tibiriçá e João Ramalho discutem o futuro da Vila de São Paulo de Piratininga sob a magia das estrelas com a montanha sagrada do Inhapuambuçu ao fundo c.1556
-Os Beneditinos (1598) A história dos beneditinos em São Paulo começa em 1598, ano em que chegaram na cidade, quando frei Mauro Teixeira, religioso paulista de São Vicente, levantou uma modesta igreja dedicada a São Bento, com fundos de uma doação realizada pelo capitão-mor Jorge Correia.

-Os Franciscanos (1640) Sete franciscanos chegaram a São Paulo em 1640 por meio de uma caravana. Eles se instalaram em uma casa onde atualmente está localizada a Praça do Patriarca, no Centro Histórico de São Paulo. O terreno que atualmente corresponde ao Largo de São Francisco foi doado pela Câmara Municipal de São Paulo, em 1642, aos frades franciscanos.

Porém estas ordens, apesar de terem também atuado para a conversão dos indígenas, não tinham este como seu principal objetivo, pois vinham ao Brasil para dar apoio aos interesses de colonização e exploração da coroa portuguesa.

Itagenemimética cultural – o dia do Anhangá
Desfile de celebração do dia do Anhangá, 05 de junho, dia mundial do meio-ambiente - celebrando o deus da floresta que protege o meio-ambiente
A aldeia de Tibiriçá é tristemente reconhecida como a primeira abandonar antigos ritos culturais ancestrais para adotar a imposta cultura Portuguesa-Cristã - Como parte do esforço de Itagenemimética, tento resgatar a cultura ancestral indigena. Talvez um dia ainda culturemos o Deus Anhangá em homenágem à nossos antigos acestrais. Tenho uma proposta, ainda tímida de celebrar o dia do Anahgá 5 de junho, dia mundial do meio ambiente – por favor, deixe seus comentários.

Referências

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ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil. 3. ed. Belo Horizonte : Itatiaia/Edusp, 1982. (Coleção Reconquista do Brasil). Disponível em: <http://www.bibvirt.futuro.usp.br>. Acesso em: 20/07/2012.
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Anchieta, José de. Cartas, Informações, Fragmentos Históricos e Sermões do Padre Joseph de Anchieta, S,I. (1554-1594). Rio de Janeiro: Publicações da Academia Brasileira - Coleção Afranio Peixoto, 1933. Disponível em: <http://www.brasiliana.usp .br/bbd/handle/1918/00381630>. Acesso em: 19/01/2013.
ARMANI, Alberto. Ciudad de Dios y Ciudad del Sol. México: Fondo de Cultura Economica, 1996.
ASSIS, São Francisco de. Regra Bulada. Ordem dos Frades Menores, 1223. Disponível em: < http://www.ofmcap.org/pls/ofmcap/ consultazione.mostra_pagina?id_pagina=1972>. Acesso em: 05/06/2013.
AZEVEDO, Aroldo de. Aldeias e Aldeamentos de índios. Boletim Paulista de Geografia, 33, 1959, pp.23-40.
AZEVEDO, Aroldo de. Vilas e Cidades do Brasil Colonial. Ensaio de geografia urbana retrospectiva. Boletim da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, n. 208. São Paulo, FFLCH-USP, 1956.
BELLOTTO, Heloísa Liberalli. Autoridade e conflito no Brasil colonial: o governo do Morgado de Mateus em São Paulo: 1765-1775. São Paulo: Conselho Estadual de Artes e Ciências Humanas, 1979.
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terça-feira, 30 de junho de 2020

Movimento Py'araku

Movimento Py'Aruku - plataforma Angatú
Uma das coisas que mais gosto quando interajo com Japoneses, é a forma que se admiram quando expostos a coisas novas, logo surge uma longa expressão surpresa na face, seguido por um também longo “Ehhh”.

Durante o período Heian no Japão (794 a 1185 d.C.), os chineses que visitavam o país, viviam criticando tudo por lá, diziam que eram um povo indígena, atrasado e incivilizado. As criticas constantes fizeram com que os Japoneses se apropriassem de diversos traços da cultura chinesa. Foi durante essa época que o termo ‘Mono no aware’ (物の哀れ) foi copiosamente usado num dos mais antigos trabalhos literários japoneses, o Genji monogatari, e os japoneses experimentaram o surgimento de uma nova cultura.

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A frase ‘Mono no aware’ é derivada da palavra japonesa mono (物), "coisa", e aware (哀れ), uma expressão de surpresa comumente usada no período Heian, semelhante ao "ah" ou "oh", traduzindo a grosso modo como "pugência", "sentimento profundo", "sensibilidade", ou "consciência". Poderia ser traduzido como o ‘ahh' das coisas, a vida das coisas, o seu deus interior.

Essa incorporação surgiu em seus corações como um Deus organizador, de grande beleza, que cresceu no meio de suas melhores essências e até hoje, poucas culturas sabem tão bem se apropriar de benefícios de outras culturas, sem perder sua própria essência como os japoneses.
Benguela 12

É com esse intuito que eu apresento aqui o movimento Py'araku, mais do que uma filosofia de vida, é um manifesto cultural e artístico brasileiro, que surgiu das conjecturas de uma matéria publicada no blog em dezembro de 2012, com a pergunta “o que teria acontecido se a cultura dos indígenas brasileiros tivesse sobressaído à dos portugueses no Brasil".

Desde então, venho refletindo diariamente no que fazer para que os bons elementos cultura indígena brasileira, bem como a cultura negra e portuguesa, com potencial de melhora, e como estes poderiam ser submetidos ao frame da cultura japonesa (ambas de ancestrais indígenas comuns) o Cauim, tal como o saquê - a bebida surge como o grande catalisador - o Cauim é sem duvida a mola propulsora desse movimento. O Cauim tem tantas similaridades com o saquê que vão muito além da coincidência,  haja visto a travessia de povos antigos pelo estréio de Bering - a bebida alcoólica ao meu ver, é junto com a gastronomia, o principal veículo de manifestação cultural de um povo.

Se quisermos um Brasil melhor, devemos sim nos concentrar nossos esforços em modificar pontos negativos, que são muitos, mas principalmente  dar ênfase nos pontos positivos, que também são muitos. O Blog ‘Ame o Brasil’, trabalha ativamente a plataforma de ativações denominada Angatú (literalmente, de alma boa, com bem estar, com felicidade), que tem como propósito despertar o amor ao Brasil e ao brasileiro, valorizando e incentivando os bons estímulos, de maneira a fazer-nos crescer e superar os maus estímulos, até sua virtual extinção.

Se quisermos que funcione, é preciso termos consciência de longo prazo e é fundamental que tenhamos uma postura ‘pro’ algo, nunca ‘contra’ - uma vez perguntada por que não participava de manifestações anti-guerra, Madre Teresa de Calcutá disse que nunca faria isso, ela somente entraria em um movimento pró-paz, é uma posição de lógica inquestionável - enquanto o movimento ‘anti-alguma coisa’ se caracteriza pela resistência a forças naturais, uma estratégia passiva que depende de empenho em proteção, que por melhor que sejam, sempre oferecem o risco de serem derrotadas, o movimento ‘pro-uma causa boa’, por sua vez, é uma estratégia proativa com intuito de promover uma boa idéia, ampliando o potencial de sucesso a níveis estatisticamente muito maiores.
Moçmbique 25

Desde que iniciei esse blog, trabalhei em ativações de limitados alcances, mas de grandes intenções. Com ‘Projeto Tembi-u’, realizado em abril de 2015, fomos pioneiros em levarmos ingredientes da Amazônia para que premiados barmans brasileiros criassem drinks, explorando o vasto universo de inusitados ingredientes Brasileiros por excelência em detrimento da valorização excessiva da coquetelaria Americana/Européia. Em maio de 2016, promovemos o primeiro ‘Capivara Parade’, nos moldes da Cow Parade de Pascal Knapp, em parceria com o Shopping Paladium, com o propósito de usar a capivara como um embaixador da natureza em ambiente urbano, para angariar recursos para a campanha do agasalho de Curitiba, e o lançamento da HQ os Heróis da Buzundanga, trazendo a cultura Tupi-Pop em sua essência – o caminho lógico desses trabalhos em série nos leva ao lançamento do Movimento Py’araku para o ano de 2017.

Py’araku tem o propósito de fazer crescer no coração de cada individuo que ama o Brasil, seja ele nativo ou estrangeiro, um entusiasmado agente de transformação, multiplicador de boas praticas, que o capacita a ser um embaixador de um Brasil melhor. A palavra do tupi antigo, tem significado parecido com o ‘Mono no aware’ do revolucionário período Heian no Japão.  Em tupi, apalavra Py’araku (Py, amplo + Araku, entusiasmo), significa literalmente, fazer crescer nosso Deus interior, de alma quente, de coração aquecido - palavra essa que traz para nossos corações e mentes a força divina, que tem o poder engrandecer nossa nação através do amor. Mesmo a palavra da língua portuguesa ‘entusiasmo’, que vem do grego, ἐνθουσιασμός (onde ἐν - interior e θεός – Deus e οὐσία –possuído), traz em sua essência o poder de promover a possessão pelo divino, "possuído pela (essência de) um Deus.

Tenho mais de 20 anos de experiência com a introdução de novos produtos no mercado, sou especialista em ‘aculturação’, um complexo processo desenhado para incorporar um determinado produto a uma cultura, no qual o produto é estudado em profundidade, com seus hábitos de consumo e então, ensinados à essa nova cultura, a ponto de atingir total incorporação fora de seu local de origem, a ponto de integrar-se plenamente a cultura local;
Cunhanbebe 10

“Para se ter o Brasil ideal, a ‘aculturação’ deve andar par e passo com nossos esforços pela ‘enculturação’, processo de auto-conhecimento, no qual entendemos quais são as nossas próprias boas praticas, as estudamos à exaustão e ai então, incentivos para que se tornem pratica comum em nossa sociedade.

Se podemos fazer isso com vinhos, alimentos e equipamentos estrangeiros no Brasil, por que não fazer o mesmo com atitudes nativas prosperas, trazendo as melhores praticas de condutas sociais para mudarmos nosso Brasil”.

Lendária Civilização Ancestral Hi-Tech Nipo-Brasileira na Amazonia

Quando era pequeno, ouvi por algumas vezes uma lenda que dizia existir uma cultura muito avançada escondida no meio da Floresta Amazônica, tipo a Wakanda do Pantera Negra, que foi erguida em torno da sabedoria e magia de uma mulher Japonesa muito bonita e inteligente, essa lenda me assombrou por muito tempo, eu até cheguei a desenhá-la em meu caderno dos primeiro anos de escola, lembro que quando fiz o tal desenho em meu caderno, meu pai assistia um jogo da copa, (possivelmente a copa de 1974), e todo ano que tem jogos do Brasil na copa, eu me lembro dessa mulher e da estória toda.

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A esquerda, desenho que fiz de Teruko Sato quando eu era criança, a direita, o desenho que fiz no dia da vitoria do Brasil sobre o México - dia de grande felicidade do povo Brasileiro

 Não sei ao certo como tudo isso começou, como eu morava numa casa junto com mais de quatro tios-avós, todos irmãos da minha avó paterna, nunca descobri quem exatamente havia contado a tal história, bem como se era verdadeira ou não. Fato é que foi desse ponto em diante que eu talvez tenha me interessado tanto pela cultura Japonesa e acreditado que se usássemos elementos nipônicos, talvez tivéssemos a chance de termos um Brasil melhor.

 Agora, como é época de jogos do Brasil na copa, resolvi botar um fim no mistério e passei a investigar a tal sabia nipônica na Amazônia - devo dizer que foi frustrante, ninguém sabia de sua existência, nem mesmo o Google.

 Variei minha pesquisa um pouco, pois talvez o tal incidente tenha algo a ver com a Copa do Mundo de Futebol. A única coisa que encontrei foi a incrível historia da morte de Chico Xavier, com conta Eurípedes Higino, seu filho adotivo “Chico Xavier sempre dizia que iria desencarnar (morrer / do ponto de vista Espírita) no dia em que o Brasil estivesse em festa e que eu não iria ter tempo de pensar na morte dele”. Foi exatamente isso que aconteceu, Chico “desencarnou” no exato dia em que o Brasil estava na festa da conquista do pentacampeonato, no dia 30 de junho de 2002.

 Bom, mas o que isso tem a ver com a japonesa da Amazônia?

 De fato eu não sei, mas gosto da idéia de ver o Brasil, como uma massa uniforme de mentes em um único espírito, feliz.

 Se olharmos para essa multidão de brasileiros felizes do ponto de vista espírita kardecista, isso parece ser uma boa energia de grande volume – e foi com esse pensamento, resolvi tomar uma passe num centro espírita, exatamente nessa época do ano, (na minha cabeça, isso faria eu receber uma enorme carga vibratória do bem) – é ai que entra a grande coincidência!!!

 Como não tinha nenhum centro espírita perto de onde eu estava trabalhando e o jogo do Brasil logo iria começar, resolvi parar no Johrei Center da Vila Mariana, enquanto aguardava o passe, ou melhor, o Johrei, eu ouvi alguns ministros conversando sobre uma tal de Teruko Sato, a primeira mulher a trazer a cultura do iluminado Meishu-Sama para o Brasil.

 Nessa hora eu cheguei até a me arrepiar com tamanha coincidência, mas o mais legal ainda estava por vir. Meishu-Sama acredita na construção de paraísos terrestres, jardins lindos e inspiradores que aumentam o bem estar e energia espiritual da humanidade – com isso, o local escolhido para ela iniciar seus trabalhos, pasmem! Foi em uma cidade chamada de Manacapuru no meio da floresta amazônica.

Nessa hora eu interrompi os ministros e estudantes que conversavam entre si e logo contei-lhes sobre a lenda que ouvira, sobre a civilização secreta na Amazônica e a tamanha coincidência, “não existe essa coisa de coincidência’”, disse o rapaz, “tal qual no espiritismo, acreditamos que todo esse acontecimento já havia sido arquitetado em planos mais evoluídos, tal como aconteceu com a passagem de Chico Xavier”.

 Ai então ele sorriu e me decepcionou um pouco ao dizer que a igreja Messiânica não possuía nenhuma nação tipo a Wakanda no meio da Amazônia”, no entanto, Mokiti Okada (岡田茂吉), fundador da igreja, que carrega o título honorífico de Meishu-Sama - 明主様, (Senhor da Luz), idealizou sim uma sociedade mais evoluída, que constroi Solos Sagrados ao redor do mundo - lugares lindos, com arquitetura, tecnologia limpa e grande grau de desenvolvimento e harmonia com meio ambiente, como se fossem ilhas de felicidade e elegância em meio ao caos do planeta.  A Fundação Mokiti Okada desenvolve pesquisas na agricultura, recuperação do meio ambiente, agricultura individual saudável e acessível, saúde e educação e também engloba a escola de Ikebana Sanguetsu que ensina os princípios pragmáticos da filosofia de Mokiti Okada através da arte milenar do arranjo floral.

 Para mim, Teruko Sato (佐藤輝子 que adotou o nome de casada de Yoniyama 米山) é uma lenda viva, as poucas informações que tive quando criança me fizeram criar uma historia fantástica, com miscigenações de etnias brasileiras e japonesas, com tecnologia extraordinária e sustentável, de primeiro mundo, que bem poderia ter sido verdadeira, mas a Teruko Sato da vida real, que também é muito pouco conhecida pelos próprios devotos da IMM, tem atributos que superam a fantasia.

Numa matéria da revista Izunome numero 72 de 2007, escrita em japonês, a historia de Sato foi revelada - a seguir coloco o texto original em japonês e minha tradução - por favor, fiquem a vontade para me corrigirem em eventuais erros de tradução.

南米開拓布教事始め

開移民として新たな人生の船出

前編

私は、瀬戸内海に面した岡山県南部にある小さな町で昭和十一年二月四日に生を享けました。
昭和ニ十年半ば頃、世間で呼ばれていました。その「おひかりさん」と呼ばれていました。その出張所がちょうど私の実家のすぐ向かいにあり、信者さん家族が住んでおりました。その家には、私より一つ年上の友達がおり、よく遊んだり勉強したりと仲良しでした。病弱だった私の母は、真っ先にそこで浄霊を受け始めました。
そして「おひかりさんの先生が知らん話をしてくれる」とその友達が冒うので、私も話を聞きに行くようになりました。
毎月1回ほど岡山から出向される瑞雲教会長の山根幸一先生は、霊界のこと、先祖様のことなど、学校では習わないことをたくさんと教えてくださり、やがて、母に次いで昭和二十七年に私も入信に至りました。

運命の決別

明主様から米国開拓布教を命ぜられた樋口喜代子先生、安食晴彦先生がハワイや米国本土で輝かしい成果をあげられていた昭和二十九年頃は、私の教会でもいつもその話で持ちきりで、月次祭でも山根先生は海外布教ー歩を印された樋口先生の業績を讃えられて

いました。私も知らず知らずのうちに、〃樋口先生のように外国に出て布教したい〃という淡い思いを抱いていました。ちょうどその頃、父からブラジル開拓移民が募集されていること、そして一家で移住する予定であることを聞かされたのです。そのことを山根先生に話すと、先生はすぐ明主様にお尋ねくださいました。すると、明主様即座に「御神体と、「おひかり」を持たせて行かせなさい」とおっしゃったのです。先生はすぐ明主様のその御言葉を租に伝えてくださり、私のブラジル行きが確定したのでした。
しかし、移民手続きの過程で、母が眼の病の治療のため、出発が勢カ月遅れるという事態が発生しました。しかし、父の友人の家族が、f現地で一人でも多くの衛き手が欲しいとのことで、私はその家族の一員として自分の家族よりー船早くブラジルルへ渡ることになったのです。
それが、家族との長い別れになろうとは、神様しか御存知なかったのです。

御光と希望を胸に

昭和二十九年九月二十五日、弱冠十八歳の私は神戸港より大阪商船「アメリカ丸」に乗って、地球の反対側のブラジルへと旅立ちました。明主様のお役に立ちたいという熱い思
いでいっぱいで、父母と別れて淋しいとか、こわいとか、ー人でどうとかいう悲観的な考えは一切浮かんできませんでした 。しかし、船の上から見えるのは毎日海だけ、激しい船酔いのため数日間梅干しとお粥のみで過ごしたこともありました。途中米国ロサンゼルスに寄港して燃料食糧その他を補紿し、南米へ向けて出航。パナマ運河を抜け、一路大西洋へと向かいます。
いよいよ赤道下ブラジル北東部パラ州ベレン港に到着しました。そこで私達ブラジルの船に乗り換え、さらにアマゾン川を上っていきました。

そして、日本を出て実に二カ月ぶりに、アマゾン川河口から千四百キロのところにある目的地、アマゾナス州マナカプル|郡べラ・ビスタ植民地に到着したのです。
配耕される土地へは、そこからさらに半日程歩いて行かなければなりませんでした。着いた所は人がようやく歩けるほどの原生林に覆われたところでした。道の両側には、先に入った十数家族の入植者達の住まいである、伐採した原生林を無造作に組み上げた丸木小屋が数百メ|トルおきにー軒ずつあり、さらにその奥に私達に配耕される土地がありました。家も水も電気も生活必需品は何一つなく、岡山県庁の広報とはまったく逆の現実でした。
さっそく男の人達はジャングルの木々を伐探して小屋造りに追われました。女の人達は食事を作るのに必要なものを集めたり、水をる汲みに行ったり、土を捏ねて釜戸を造ったりという生活から始まりました。熟蒂特有の風土から、小虫や蚊がたくさんいて、昼夜を問わるず、ところかまわず刺されます。
数カ月分の食糧は船を降りたところにある小さな村の売店に預けてあり、一週間分ずつを歩いて取りに行きました。大きな袋を持って一往復するのにー日がかりです。女も子供もみな汗だくになりながら働きました。手には水豆ができて破れ、その上に手ぬぐいを捲いて痛さをこらえながら働きました。夜になると原生林の丸木を並べた上に寝ました。いろんな動物の鳴き声が聞こえ主す。夜通し焚火は絶やせません。
いつどんな動物が出てくるか分からず、緊張の毎日が続きました。

失意のどん底からの脱出

そんな生活の中、みんなが寝静まった夜、私は一人蚊帳の中から星空を見上げ、 "どうしてこんな所に来てしまったのだろう......。

明主様のお役に立とうとやって来たブラジルがこんな原生林の山奥。家も電気も水もない原始的な生活。明主様はもう私を見離されたのかしら。なぜこんなつらい思いを、苦労をさせられるのかしら。
このお月様、お父さん、お母さんは見ているかしら。どうして私ー人で来てしまったのかしら。明主様はこんなところと御存知なかったのかしら……“なと思い巡らしては毎日のように泣いていまた。
しかし、”こんなことばかりしていてはいけない。せめて入植者達に御浄霊を広めねは"と思い直し、風邪を引いた人、皮膚に湿疹のできた人に浄霊の話をしてみることにしました。ところが誰も受けつけてくれませしまいには「手をかざして病気が治るわけがない。
あの娘は親から離れてー人で来もて、もう頭がどうかしているのだ」などと噂されるようになりました。そして、その周囲の視線の冷たさに耐えきれなくなった私は、"もう宗教のことも浄霊の話も口にすまい"と決め、ひたすら働き始めました。
また私はー緒にブラジルに来た家族と別れ、独り立ちすることを決意しました。人の手が足りない家は、私を容易に住み込みで雇ってくれます。あちこち他人の家で草取りをしたり、寄せ焼きをしたり、さつま芋を土手に植えたり、毎曰毎曰働きました。そして、私は考えました。"こんな不便な山奥にもし私の母が来たら病に倒れるかも知れない。鍬ー鍬本握ったことのない町育ちの幼い弟、妹達はこんな過酷な労働には耐えられない。
こんな所に来たら一家は破滅だ。私は意を決して日本の父母に「もうブラジルには来たい方がいい、こんな苦労は私ー人でたくさん、来てはいけない」と手紙に書きました。
何ヵ月か経って母からの手紙が届きました。手紙が無事に日本に届き、無事返事が来ることさえ。ここでの生活では奇跡に近い出来事でした。急いで封を開けてみると、そこには私の身を案じる父母の気持ちと共に、思いもかけない事実が認めてありました。

明主様の御昇天の知らせでした。私は立っていられない程のショックで涙も出ませんでした。しかし、"必ず明主様は霊界から見守ってくださっている。私を見ていてくださる。
泣いたら明主様が悲しまれる"と、思い直しましたが、それでも心の整理がつくまでに二、三日を要しました。

Manacapurú - a 99,8km de Manaus no estado do Amazonas
A esquerda  a Senhora Yoneyama (Teruko Sato com nome de casada) e a direita
Michiko Yamande, lider da ireja Zuiun - maio de 1953
瑞雲教会奉仕の頃の米山さん(左)と故・山根道子教会長夫人(昭和28年5月)

運命の転機

ある日、真っ黒になって働いていた私に、「人が欲しい、来てくれないか」と、内藤さんという方が尋ねて来たのです。私は恩い切ってその方とー-緒に、私を雇ってくださるという方がいる、アマゾナス州バレンチンスに近いイタコアチャラ郡のモンテ・レアルに行くことにしました。
内藤さんに連れられて、再び船の旅です。私は、御神体と御尊影、そして「おひかり」十体に数枚の着替えを持ち、ベラ・ビスタを後にしました。着いたところは、御園さんという方が経営する食料雑貨店でした。
私はこの店で、昼間働きながら、夜はランブの明かりを頼りにポルトガル語を勉強しました。初めは、原地住民との挨拶から日常のこと料理のこと、見るもの、聞くものすべて、日本と違った生活習慣でした。
しかし、それまでの植民地生活からすると、天と地の違いがありました。脚園さん鐔夫妻は、私を娘のように扱ってくださいました。仕事も覚え、言葉も片言でしたが何とか話が通じるようになりました。
心機一転、私は与えられた新しい環境の中で何とか布教しうと思い、つたない言葉で浄霊の話をしてみることにしました。
何日も何回も話すうち、私があまりに一生懸命言うので頭をかしげながらも話を聞いてくれる人が出始めました。もちろん、浄霊の意味などをしっかりと説明するまでには至りませんでしたが、徐々に浄霊のぉ取次ぎが次々とできるようになです。

日本からの使節団

ある日、母から再び便りが届きました。手紙には、「明主様御昇天後、小田信彦先生という方がブラジル布教のためクリチーバに行とれたので、その先生と一緒に布教したらどうか」との、山根先生からの言付けが書いてありました。

ルイズ・パガノで翻訳

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Primeira missão na América do Sul, o começo de uma nova vida como imigrante
Tradução da primeira parte


Nasci em uma pequena cidade ao sul de Okayama, em 4/2/1936 (Showa/昭和 - 11 é o ano de 1936). Em meados de 1945, numa época em que a Igreja Messiânica e seus membros tinham o apelido de “Ohikari-san”. Existia em frente a minha casa uma família de fieis da Igreja Messiânica, como minha mãe estava doente, eles vinham em casa aplicar o Johrei nela, em 1952, nós nos tornamos membros. Mensalmente, o ministro responsável da Igreja dava palestras nas quais falava sobre o Mundo Espiritual e os antepassados, o tipo de coisa que não se aprende na escola, foi quando atingi a maioridade.

Rumo a partida

Já nos anos de 1945 o ministro dessa unidade religiosa nos contava os relados dos missionários Yamane os relatos da ministra Kiyoko Higuti e Haruhiko Ajiki no Havaí e nos Estados Unidos. Ouvindo essas estórias, aos poucos, passei a cultivar o desejo de dedicar-me à difusão desses ensinamentos no exterior, a exemplo da ministra Higuti. Nessa época, soube que minha família planejava imigrar para o Brasil.

Ciente desta possibilidade, o ministro Yamane fez um pedido ao Meishu-Sama, que imediatamente disse: “Entregue-lhe a imagem de Deus e o Ohikari para que ela leve consigo”. Diante desta resposta de Meishu-Sama, minha certeza de ida ao Brasil se fortaleceu ainda mais. Contudo, durante o processo de pedido de imigração, minha mãe foi acometida de um problema de visão que atrasou a nossa partida.

Como uma família conhecida queria migrar para o Brasil e necessitava aumentar o número de pessoas para o trabalho, optei por embarcar antes de meus familiares. Só Deus sabia na época que a separação de minha família seria mais longa do que tinha imaginado...

Luz e esperança em meu coração

No dia 25 de setembro de 1954(Showa/昭和 - 29), aos 18 anos, eu embarquei no navio America Maru que partiu do porto de Kobe,  deixei o Japão em direção ao Brasil levando comigo o forte desejo de servir a Meishu-Sama.

Em momento algum fiquei pessimista, senti medo ou tristeza por partir sozinha. Durante a viagem, o tempo que passei em alto-mar não foi fácil, durante longos dias, tive que comer umeboshi (梅干し - ameixa chinesa em conserva) e Kayu (お粥 também chamada de congee, é uma sopa de arroz cozida com carne) diariamente por causa dos enjôos causados pela viagem marítima. Após uma pausa em Los Angeles para abastecimento de combustível e mantimentos, cruzamos o canal do Panamá, tendo chegado ao norte do Brasil, no porto de Belém. Fomos transferidos para um navio brasileiro e subimos o rio Amazonas. Desde que deixara o Japão, dois meses haviam se passado. Chegamos à colônia de Bela Vista, localizada no estado do Amazonas, distrito de Manacapuru, após uma viagem de 1.400 km. Até chegarmos à fazenda, foi necessário andar cerca de meio dia. O local ficava no meio da floresta, de ambos os lados da torpe estrada moravam algumas famílias de colonos que lá procuravam se estabelecer. Não havia moradia, água, energia elétrica ou instalações necessárias à vida cotidiana, a realidade lá era muito diferente da que eu tinha em Okayama.

Imediatamente, os homens puseram-se a derrubar árvores para construir assentamentos, e as mulheres se dedicavam a preparar a alimentação. Devido ao clima tropical, éramos picados por insetos e mosquitos dia e noite. Enfrentamos muitos desafios nesta época de adaptação. Mantimentos chegavam regularmente numa lojinha, localizada numa aldeia que só podia ser acessada de barco, levávamos um dia para transportar tudo em enormes sacolas, as mulheres e crianças trabalhavam e estavam sempre suadas, bolhas se formavam nas mão e estouravam, colocávamos toalhas para mitigar a dor, a noite dormíamos em meio os troncos, ouvíamos vários ruídos de animais, era imprescindível que a fogueira jamais se apagasse durante a noite, não sabíamos quando e por qual animal poderíamos ser atacados, vivíamos em dias de medo e tensão inesgotáveis.

習志野浄霊センター - 米山晃子Narashino Johrey Center - Akiko Yoneyama - Teruko Sato

Me afastando da depressão profunda

Em meio a esta dura realidade, à noite, enquanto todos dormiam, costumava olhar as estrelas através das redes de mosquitos e a chorar me perguntando: “O que vim fazer neste lugar?”... Queria servir a Meishu Sama e vim para o meio da floresta, viver uma vida primitiva, sem luz e nem água. Será que Meishu Sama me abandonou? Por que preciso passar por tanto sofrimento? Será que meus pais estão olhando para essas mesmas estrelas? Por que acabei vindo, sozinha? Será que Meishu Sama sabe de mim aqui?

Por outro lado, pensava em minha missão. “Talves eu possa ministrar Johrei nos colonos...” Passei a ministrar Johrei em quem estivesse gripado ou com eczemas. Contudo, eles não acreditavam que eu pudesse curar as doenças, simplesmente empostando as mãos.

A filha da família com quem convivia chegou a dizer que eu tinha problemas mentais, ou coisa do gênero. Diante de tal desprezo, decidi que não mais tocar no assunto de Johrei ou religião, comecei então a trabalhar mais ainda e optei por me afastar da família com quem viera ao Brasil. Morava com famílias que estivessem precisando de mão-de-obra, roçava os quintais das casas, plantava e fazia batata-doce assada.

Diante disso, pensei “se minha mãe vier, certamente ficará doente com tanto desconforto, as delicadas mãos dos irmãos e irmãs que cresceram com os livros, não aguentariam as enxadas, se vierem para cá, minha família será arruinada.

Assim, escrevi aos meus pais pedindo que “desistam de vir para o Brasil pois passo por muitas dificuldades aqui”. Alguns meses depois, após minha carta ter chego sã e salva no Japão, recebi uma carta com a resposta de minha mãe, isso soava como um milagre para a realidade que eu tinha.

Apressadamente rasguei o envelope, e fiquei tomada por emoção, era muito bom saber que meus pais não haviam se esquecido de mim aqui, a carta trazia a triste notícia da ascensão de Meishu Sama ao Mundo Espiritual. Agora sentia que ele olhava por mim, chorei muito em luto, demorou muito para que a tristeza passasse.

A virada do destino

Certo dia, em meio ao meu trabalho na lavoura, o senhor Naito disse-me que precisava de pessoas para trabalharem consigo. Assim, novamente de barco, parti para Monte Real no distrito de Itacoatiara, próximo a Parintins, AM, levando comigo a imagem de Deus e alguns Ohikari, ele falava que alguém queria me contratar.

Fiz uma outra viagem de barco, carregando roupas imperiais paro o Sr. Naito  e chaguei a uma mereceria, administrada por Misuno-san.

 Trabalhava durante dia e durante a noite tentava estudar português, sob a precária luz de um lampião. Inicialmente, tive muitas dificuldades com os  costumes, língua e alimentação em comparação com a vida no Japão. No entanto, aquele lugar era para mim o paraíso na terra, em relação à vida que levava na colônia anterior, em Bela Vista, tudo tinha mudado para melhor.

A maravilhosa esposa do Sr. Shigaru me tratava como uma filha. Aprendi o serviço e, em meio a um novo ambiente, novamente me empenhei em difundir o Johrei, e para meu deleite, minhas histórias começaram a ser ouvidas.

Dessa vez eu havia mudado de idéia, agora eu podia falar sobre o Johrei, me esforçava para explicar, embora muitas vezes as pessoas coçavam a cabeça sem terem entendido muito bem, mas mesmo assim, pouco a pouco, mais purificadas, as pessoas compendiam melhor a proposta de tudo aquilo.

Missão que veio do Japão

Algum tempo depois, mais noticias chegavam, recebia uma correspondência
de minha mãe que contava que o Sr. Yamane, após a ascensão de Meishu Sama, um ministro chamado Nobuhiko Shoda pedia para que eu fosse a Curitiba com ele para fazer difusão no Brasil...

Traduzido por Luiz Pagano
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 Como deve saber o caro leitor, me considero um Omni Religioso, acredito, estudo e respeito todas as religiões e dou valor no bem que elas causam. Eu já havia estado em Uberaba e conheci pessoalmente o Eurípedes, era um dia 08 de dezembro de 2011, tomei um café e comi pão de queijo com ele, que gentilmente me mostrou todos os aposentos, contou estórias de Chico, me mostrou a arvore que ele (Chico Xavier) havia plantado no quintal, bem como todo complexo que ele havia construído para ajudar o maior numero de pessoas possível, com ele e mais um grupo de dez pessoas, fui ajudar a cozinhar e servir as mais de mil pessoas carentes no refeitório. Eu acredito de fato que a melhor forma de criarmos uma sociedade evoluída em todos os sentidos é nos mobilizando proativamente nisso, devemos começar por copiar os exemplos de pessoas como Mokiti Okada, Teruko Sato e Chico Xavier - para promovermos a melhoria moral das pessoas ao nosso redor e ao mesmo tempo, muito alem de darmos as condições de dignidade, promovermos o desenvolvimento fisico e estrutural do grupo, considerando cada integrante como um elo importante, confiável e talentoso, em uma sociedade que dá prazer trabalhar pelo bem comum e de cada indivíduo, isoladamente.

 Com isso, aproveitei o dia de jogo da copa, quando pessoas estão muito felizes com a vitória e uma vibração espiritual grande e plural, do tamanho de nosso país e resolvi refazer o desenho da Teruko Sato (ilustração abaixo)... a minha Teruko Sato – mulher japonesa que adotou a cultura dos indígenas em suas pinturas e roupas. No meu universo pessoal a tal cultura evoluída, Nipo-Tupiniquim tem até nome, ochama-se yvyturokai (pronuncia-se algo como "UVUTUROKAI" - os dois primeiros 'Us' tem um som parecido com o do ~ da palavra 'SÃO' - e significa PARAÍSO em Guarani –, lugar onde as pessoas estão bem formadas e são bem educadas).

No meu desenho, a Teruko Sato (佐藤輝子) de meu universo pessoal, dança suavemente sobre o tronco cortado, tal como desenhei em minha infância, em harmonia com as forças da floresta, tem um boto-cor-de-rosa a sua esquerda e um tucuxi à direita - parece até uma personagem do anime Avatar.

Conversação em Tupi Antigo - Aula 1

Uma das boas forma de aprender um idioma é a pratica diária, más infelizmente, salvo raras exceções, não temos esse tipo de oportunidade -...